Anciènne Synagogue Ohel Yaacov et Bris Milá de Gabriel Douek

Bris Milá de Gabriel Douek; Synagogue Ohel Yaacov




Ao emigrar para São Paulo, no começo dos anos 50, o sefaradi ressentiu-se da condução do rito da Sinagoga da Abolição. A religiosidade do imigrante Davide Douek foi logo percebida por Isaac Levy, que pouco depois o nomeou para "diretor de culto".

O industrial Davide Douek, judeu observante não sionista, de cidadania italiana, emigrou do Cairo somente em 1962, quando percebeu que os "egípcios não nos queriam mais". Em São Paulo, estabeleceu-se na Bela Vista, nas imediações da Sinagoga da Abolição, em obras finais de reconstrução. Seu pai, Cohanin de Alepo, da família Gamai, fixou-se no Egito em 1900, fugindo do serviço militar exigido pêlos otomanos.

A maioria egípcia da Sinagoga da Abolição, agora Templo Israelita Brasileiro Ohel laccov, determinou a direção e entonação das rezas na sinagoga. David Succar foi chamado para conduzir os rituais como chazan. Os dois Sefarim que Davide Douek havia trazido do Egito passaram a ser utilizados na sinagoga.

A linha adotada por Douek, levou a que o coral, organizado por Enzo Ventura, fosse substituído pelo "canto dos correligionários"*. Davide Douek aproximou-se do grupo Beit Chabad, de linha religiosa ortodoxa. Ely Mizrahi, participante do mesmo grupo, foi contratado para chazan e ocupou, por dois anos, a posição do avô Elias.

Respeitando a origem da sinagoga, David Douek buscou manter receptiva a todos os judeus que a procurassem, independente da origem e "privilégios de riqueza": da mesma forma que os ismirlis, a atual diretoria não privilegia a ocupação dos assentos no interior da sinagoga. Reforçando a beneficiência, os diretores da Sinagoga Ohel Yaacov mantêm assistência a 45 famílias da comunidade judaica de São Paulo, em especial, nas Grandes Festas.


Hoje, a Sinagoga da Abolição, embora tenha sido templo de abrigo de judeus de várias origens, distante das residências dos associados, apresenta-se vazia de fiéis. A maioria passou a rezar nos templos próximos às residências. Embora Davide Douek, "inspirado por Deus", idealizasse a sinagoga no centro de uma praça, permitindo a afluência de carros e pessoas, recentemente, o Presidente Isaac Levy, contando com o apoio unânime dos 148 sócios do templo, decidiram pela permuta do terreno da sinagoga por outro, próximo de suas residências, na região dos Jardins, onde um moderno templo será construído pelo empresário sefaradi, Senor Abravanel mais conhecido como Sílvio Santos**.


*. Relato de Davide Douek a RM. São Paulo, 1997.

**. O empresário, com apoio oficial, pretende construir na área um edifício com escritórios, salas de teatro, cinema e, no topo, um restaurante giratório.


Transcrição, Rachel Mizrahi, 2003 do livro, Imigrantes Judeus do Oriente Médio.


A transcrição do texto e fotos é uma pequena homenagem ao Sr. Isaac Levy, grande amigo do meu pai, meus irmãos, primos, diretores e colaboradores que realizam a nova Sinagoga Ohel Yaacov.

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